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A primeira mulher eleita para Academia de Letras

Categorias: Gaveta digital

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Henriqueta Lisboa nasceu em Lambari, sul de Minas Gerais, em 1901, filha de Maria Rita Vilhena Lisboa e do conselheiro João de Almeida Lisboa, um dos políticos de maior expressão da Primeira República. Diplomou-se normalista pelo Colégio Sion, da cidade de Campanha, ainda em Minas. Mudou-se com a família inicialmente para o Rio de Janeiro em 1924, quando o pai foi eleito deputado federal, e, em 1935, para Belo Horizonte, onde o pai foi eleito para a Constituinte Mineira. Na capital mineira, Henriqueta exerceu várias atividades profissionais, como inspetora federal de ensino secundário, professora de literatura hispano-americana e de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Maria, hoje Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, e professora de história da literatura na Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais.  Em 1958 ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.

Poeta, tradutora e ensaísta, em 1963 foi a primeira mulher a ser eleita para a Academia Mineira de Letras, onde ocupou a cadeira número 26, cujo patrono foi Evaristo da Veiga. Recebeu vários títulos honoríficos e prêmios, como o prêmio Brasília de literatura, pelo conjunto da obra, concedido pela Fundação Cultural do Distrito Federal; em 1976, o prêmio Poesia 76, conferido pela Associação Paulista de Críticos de Arte; o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 1984, pelo conjunto da obra; ainda em 1984, o prêmio Pen Club do Brasil, pelo livro Pousada do ser. Do governo de Minas Gerais recebeu, além da Grande Medalha da Inconfidência, em 1980, e da Medalha Santos Dumont, em 1983, o diploma de mérito poético, por decreto do governador, em 1979, comemorativo dos cinquenta anos de poesia.

Henriqueta Lisboa começou a dedicar-se à literatura desde muito jovem. Seu primeiro livro de poemas, Fogo-fátuo, publicado em 1925, revelava uma feição simbolista, tendência marcante de sua obra até a década de 1940. Autora de extensa produção cultural, constituída de ensaios literários, traduções e organização de antologias de poesias, colaborou em várias revistas e jornais, como O MalhoRevista da SemanaA ManhãO Jornal, Kosmos e Festa, nesta ao lado de Gilka Machado e Cecília Meireles, e seus trabalhos podem ser encontrados no Acervo de Escritores Mineiros da Universidade Federal de Minas Gerais.

Considerada um dos grandes nomes da lírica modernista pela crítica, Henriqueta manteve-se sempre atuante no diálogo com os escritores e intelectuais de sua geração e cativou muitos leitores ilustres, como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Gabriela Mistral e Mário de Andrade, com quem manteve uma vasta correspondência, entre 1940 e 1945, e cujas cartas deram origem ao livro Correspondência Mário de Andrade & Henriqueta Lisboa.

Fotos de Henriqueta Lisboa

Suas poesias, ensaios, traduções e outras manifestações culturais estão agora reunidos no livro Henriqueta Lisboa – Obra completa: poesia, poesia traduzida e prosa, em mais de 2 mil páginas que revelam, segundo o poeta Carlos Drummond de Andrade, os “instantes mais altos […] atingidos por este tímido e esquivo poeta”. “Muitas pessoas poderiam ter em casa um livro seu […] como têm um toca-disco, um televisor, um gravador, um eletrodoméstico de lazer ou de serviço. E não têm. As tiragens de livros de poesia são limitadas. E fazem tanta falta os poetas como Henriqueta Lisboa!”

Henriqueta faleceu em Belo Horizonte no dia 9 de outubro de 1985, dia do aniversário de Mário de Andrade. Seu centenário de nascimento foi comemorado ao longo do ano de 2002 com inúmeros eventos culturais em sua homenagem e várias reedições de sua obra, para revelar a força de sua poesia para os jovens de hoje.

Henriqueta Lisboa (1901-1985), poeta mineira considerada pela crítica um dos grandes nomes da lírica modernista, dedicou-se à poesia, ensaios e traduções. Nasceu em Lambari, Minas Gerais, em 15 de julho de 1901, filha do farmacêutico e deputado federal João de Almeida Lisboa e de Maria Rita Vilhena Lisboa.

Formou-se normalista pelo Colégio Sion de Campanha, MG, e, em 1924, mudou-se para o Rio de Janeiro. Dedicou-se à poesia desde muito jovem. Com Enternecimento, publicado em 1929, de forte caráter simbolista, recebeu o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Aderiu ao Modernisno por volta de 1945, fortemente influenciada pela amizade com Mário de Andrade, com quem trocou rica correspondência entre os anos de 1940 e 1945. Sua produção inclui, além da poesia, inúmeras traduções, ensaios e antologias.

Foi a primeira mulher eleita para a Academia Mineira de Letras, em 1963. Em 1984, recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra. Foi professora de Literatura Hispano-Americana e Literatura Brasileira na Pontifícia Universidade Católica (Puc Minas) e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Poeta sensível, dedicou sua vida à poesia. Considerada um dos grandes nomes da lírica modernista pela crítica especializada, Henriqueta manteve-se sempre atuante no diálogo com os escritores e intelectuais de sua geração e angariou muitos leitores ilustres durante sua vida, dentre eles Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Gabriela Mistral. Sobre sua poesia, Drummond nos deixou o seguinte testemunho: “Não haverá, em nosso acervo poético, instantes mais altos do que os atingidos por este tímido e esquivo poeta.”

Henriqueta faleceu em Belo Horizonte, no dia 9 de outubro de 1985. Seu Centenário foi comemorado ao longo do ano de 2002 e, além de inúmeros eventos culturais em sua homenagem, várias reedições de sua obra foram feitas com o objetivo de revelar a força de sua poesia para os jovens de hoje.

Títulos publicados

Fogo-fátuo (1925); Enternecimento (1929); Velário (1936); Prisioneira da noite (1941); O menino poeta (1943); A face lívida (1945), à memória de Mário de Andrade, falecido nesse ano; Flor da morte (1949); Madrinha Lua (1952); Azul profundo (1955); Lírica (1958); Montanha viva (1959); Além da imagem (1963); Nova Lírica ((1971); Belo Horizonte bem querer (1972); O alvo humano (1973); Reverberações (1976); Miradouro e outros poemas (1976); Celebração dos elementos: água, ar, fogo, terra (1977); Pousada do ser (1982) e Poesia Geral (1985), reunião de poemas selecionados pessoalmente pela autora do conjunto de toda a obra, publicada uma semana após o seu falecimento. Publicou também as coletâneas de ensaios Convívio Poético (1955), Vigília Poética (1968) e Vivência Poética (1979). Os poemas que traduziu foram primeiramente reunidos pela Editora da UFMG em Henriqueta Lisboa: Poesia Traduzida. Agora, sua obra está reunida nos três volumes de Henriqueta Lisboa: Obra completa (Poesia, Poesia traduzida e Prosa), publicado em dezembro de 2020 pela Peirópolis.

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