Lá detrás daquela serra – Impressões de leitura
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Joel Cardoso:
Lá em cima daquela serra
tem um pé de araçá.
Quem não sabe jogar verso,
sai da roda e vai sentar.
Este LÁ DETRÁS DAQUELA SERRA é um livro poético e musical… Poesia, não por acaso, é a arte que mais se aproxima da música… É o pensamento em forma cadenciada e melódica… Daí, talvez, o seu poder de encantamento… Encantamento que – na leitura do livro – se instaura de imediato. Por se tratar de quadras, daí, também, advenha a facilidade de memorização… Quantas e quantas quadrinhas sabemos de cor… Eu, quando criança, as memorizava sem atentar muito para a mensagem que elas traziam. O que me encantava, sei agora, era a magia da sonoridade que se espraiava nos versos… Era o texto metrificado e rimado dando o tom e o sabor ao texto… Crianças, descobríamos, o prazer de fazer da voz, ao declamar, um instrumento não só de comunicação, mas, também, de performance musical, de teatralidade (à época, até inconsciente)…
Transcrevo, aqui, uma das muitas quadras que compõem o livro… são versos cadenciados, gostosos, com sabor de gente, com visão local e, ao mesmo tempo, universal… É a cultura popular expressa pela voz dos seus protagonistas autênticos… Vamos, pois, à roda… As cantigas são um convite ao prazer, ao estar junto, ao compartilhamento. As cantigas – com humor e de forma naturalmente lúdica – traduzem a voz simples do povo, com suas tradições, suas histórias, seus causos, suas rememorações, suas superstições, suas crendices…
Quer coisa melhor?
Quer coisa mais bonita?
Então, se “Lá detrás daquela serra” é, com certeza, um convite a isso tudo, merece ser lido e relido, trabalhado e retrabalhado, merece ser divulgado… Temos que, como mestres, na prática docente, no dia a dia da escola (e para além dos muros por vezes enclausurantes da escola, no cotidiano das nossas vidas), torná-lo presente, torná-lo acessível aos nossos leitores iniciantes…