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Macunaíma em quadrinhos – Impressão de leitura, por Joel Cardoso

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Estou em falta…
Ultimamente, aliás, tenho estado frequentemente em falta… em falta com os amigos, em falta comigo mesmo… Imperdoável!…
Recebi, já há algum tempo, o exemplar de “Macunaíma”, da Editora Peirópolis… uma gentileza de amigas que conquistei nessa casa…
Amo “Macunaima”!… Tenho uma história com esse livro… Tenho, também, já, em diversas ocasiões, declarado o meu amor – público e notório – por Mário de Andrade… Atuando em diversas frentes artístico-culturais, Mário foi, sem dúvida, o grande baluarte do Modernismo em nosso país… foi, como ele mesmo afirmava, 300… 350…
Tendo em mãos o livro, não há como não revisitar um pouco o passado…
Há fatos que merecem ser rememorados…
Quando fazia parte do Programa de Pós-Graduação em Letras, da UFPA, orientei, em 2007, a primeira dissertação de Mestrado sobre adaptações de obras literárias para o universo dos quadrinhos. Foi uma quebra de paradigmas. Os quadrinhos, à época, naquele programa de Pós, não eram bem vindos… Houve mesmo quem os catalogasse de “lixo cultural”… Impressionante como as pessoas, mesmo as doutas, são conservadoras…
Impressionante como os preconceitos perduram… como tradicionalismos inócuos prevalecem…
O autor da dissertação, Gustavo Lopes, hoje, meu amigo, a quem admiro e respeito, foi, nesse sentido, um pioneiro, um desbravador, uma pessoa corajosa… Ele cursou, assim que defendeu a sua dissertação, pela UFMG, o doutorado em Artes e é professor da UNB… Teve a audácia de sair do conforto dos paradigmas canônicos para enveredar por outras plagas (suspeitas, aliás, suspeitíssimas)… Mas valeu a pena…
“Macunaima” foi um dos livros trabalhados na dissertação.
Mas “Macunaíma” é sempre uma obra referencial… Como acontece com as obras de fato significativas, temos que voltar a elas muitas vezes, e, a cada volta, sempre nos surpreendemos…
É um livro divertido, gostoso de ler… Brasileiro, mais que isso!, brasileiríssimo… com a marca da nossa gente, evidenciando nossos traços identitários, espelhando a nossa cultura, salientando nossas contradições… Continua mais moderno do que nunca… continua quebrando regras, continua, também, às vezes, sendo mal interpretado…
Por isso (e muito mais), é sempre um prazer voltar à leitura desse clássico…
Agora, a Editora Peirópolis, atenta às andanças do mercado, lança (pertinentemente) uma releitura em quadrinhos dessa obra…
O que dizer?
Simplesmente que amei…
A edição é primorosa (como sempre quando se trata das publicações da Peirópolis!)… A tradução é inovadora… O livro é bonito, criativo, bem cuidado em todos os pormenores… O material é de primeira… A viagem que, como leitores, fazemos com esse “herói sem caráter” é sempre surpreendente e divertida… Um retrato saboroso e sempre interessante dos nossos diversos brasis…
Parabéns a toda equipe da Editora, mas, particularmente, quero agradecer à Renata Farhat Borges, à Maria Conceição Azevedo…
Não posso deixar de me referir, também, à Susana Ventura, que me abriu as portas para esses contatos que fizeram (e fazem) a diferença em minha vida…
Parabéns extensivos a Angelo Abu e Dan X…
Pra quem trabalha com Arte, com Literatura, com Imagem, recomendo a leitura do livro…
E, para finalizar, o meu MUITO OGRIGADO!, de coração..

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