Coleção Contos indígenas de assustar — Os Enjerados, Os Visajentos e Os Encantados
Acessibilidade
Amazônia, terra e água tão vivas que até o medo tem lá suas raízes. Na série Contos Indígenas de Assustar, o escritor indígena do povo Maraguá Yaguarê Yamã, também geógrafo, ativista e um dos principais nomes da literatura indígena contemporânea, reúne e reconta mitos de assombração que atravessam gerações entre os povos mawé, maraguá, mura e ribeirinhos do baixo Amazonas.
A coleção segue a própria hierarquia espiritual da Urutopiãg e da pajelança, duas religiosidades tradicionais amazônicas, para organizar seus três volumes:
- Os Enjerados — seres transformados por pacto, maldição ou natureza própria: humanos que viram bicho, bichos que viram gente, como o icônico Cobra-Norato.
- Os Visajentos — as waurãga: entidades sem origem humana, que existem apenas para assustar e matar, das classes mais temidas dessas cosmologias.
- Os Encantados — as ipakahawãg: a ordem mais poderosa de todas, guardiã da floresta, das águas e da lei da natureza — nem boa, nem má, mas implacável com quem desrespeita seu equilíbrio.
Mais do que assustar, os livros documentam religiosidades silenciadas por séculos de colonização e evangelização forçada. Cada conto vem acompanhado de notas explicativas e glossário, e muitas histórias carregam a própria memória do autor, criado ouvindo essas narrativas nas rodas de contação às margens do rio Urariá. Todos os volumes são ilustrados pela premiada Taisa Borges, artista que já estabeleceu parceria com muitos autores indígenas.
Sobre a trilogia Contos indígenas de assustar
OS ENCANTADOS
Yaguarê Yamã
Ilustrações de Taisa Borges
Formato 17 x 24 cm – 88 págs.
ISBN: 978-65-5931-534-5 | 978-65-5931-535-2
Sinopse
Nem todo ser sobrenatural é maligno. Fechando a lógica que estrutura toda a coleção, este volume mergulha na mais poderosa ordem de entidades da Urutopiãg e da pajelança: os encantados — os ipakahawãg, que já habitavam o mundo antes dos humanos e não são bons nem maus, apenas guardiões da lei da natureza. Aqui estão o mapinguari, terror da floresta que engana o caçador teimoso; o kurupira, protetor dos animais de caça, capaz tanto de generosidade quanto de punição implacável; os jumas, gigantes antropófagos dos grotões amazônicos; os botos — os “companheiros do fundo” —, sedutores que sobem à superfície em forma de gente; as yaras, mães-d’água que não perdoam desobediência nem desrespeito ao rio; e as cobras-grandes que dormem sob cidades inteiras, capazes de engolir aldeias ao acordar. Unindo memória de infância, mitologia maraguá, mawé e sateré, e o alerta ecológico que atravessa cada história, Yaguarê Yamã mostra que o verdadeiro perigo, no fundo, é sempre humano: quem desafia, desrespeita ou mata mais do que pode comer.
OS ENJERADOS
Yaguarê Yamã
Ilustrações de Taisa Borges
Formato 17 x 24 cm, 80 págs
ISBN: 978-65-5931-531-4 | 978-65-5931-530-7
Sinopse
Bichos que se transformam em pessoas. Pessoas que se transformam em bichos. Neste primeiro volume da série, Yaguarê Yamã reúne histórias de enjerados — seres que carregam a marca da transformação, fruto de pactos, maldições ou de sua própria natureza. Entre elas está a lendária saga de Cobra Norato e Maria Kaninana, filhos-cobra de uma mulher mawé; a vingança de um espírito de muitos olhos; o tajá que se torna onça para guardar uma casa; e o pescador que descobre, tarde demais, que seu companheiro de canoa não é gente como as outras pessoas que conhece. Ancoradas na Urutopiãg e na pajelança, tradições religiosas dos povos da Amazônia, essas narrativas de assombração vêm acompanhadas de notas explicativas e glossário, revelando o universo de crenças por trás de cada mito.
OS VISAJENTOS
Yaguarê Yamã
Ilustrações de Taisa Borges
Formato 17 x 24 cm – 98 págs.
ISBN: 978-65-5931-532-1 | 978-65-5931-533-8
Sinopse
Se os enjerados guardam um resquício de humanidade, os visajentos não guardam nenhuma. Neste volume, Yaguarê Yamã narra as entidades mais temidas da Urutopiãg — os waurãga, quinta classe da hierarquia dos espíritos da floresta, tão poderosos que só um espírito protetor pode vencê-los. Entre as histórias estão a vingança arrepiante das cinco crianças mortas pelos próprios pais, os waxiní raíra; o fogo-fátuo ariá-w-açú, que dança sobre o rio e devora quem ousa cruzar seu território; a sedução mortal da Kunhãgwera; a Pókwara e sua mão furada, que decide entre o sono e a asfixia; e a Matĩ Tapewera, o pássaro-fantasma capaz de se transformar em três formas ao mesmo tempo. Ambientadas nas margens do rio Urariá e tecidas com memórias de infância do próprio autor nas rodas de contação de história, essas narrativas revelam entidades que não pactuam, não negociam e não perdoam — pura assombração, no sentido mais literal da palavra.